Terça-feira, 24 de Abril de 2007

REVOLUÇÃO DOS CRAVOS

UM OLHAR SOBRE ABRIL

 

 

 

As obras produzidas depois da Revolução e que a ela se referiram especificamente

 

Ao pensar sobre o DIA MAIS FELIZ DAS NOSSAS VIDAS e sobre a Revolução que se lhe seguiu. Nas vitórias e nas derrotas. Naquilo em que se transformou, anos depois,  a madrugada dos nossos sonhos. Na democracia diminuída, ou talvez nem isso, em que vivemos. Plutocracia, chamou-lhe o nosso Nobel, e com razão. Mesmo que não tenha sido, ainda, aniquilado o gérmen do qual pode resultar uma nova manhã de esperança, e que é  a Liberdade.

 

Ao pensar em tudo isso, julguei que a melhor homenagem que seria capaz de prestar a Abril, seria falar das obras de Arte sobre a Revolução, que mais me tocaram. Essas afinal não são perenes. A nossa memória ficará para sempre gravada nessas palavras, nessas fotos, nesses desenhos, nessas esculturas, nessas imagens, nessas músicas, que hão-de dizer muito aos vindouros, porque são excepcionais.

 

Não vos vou falar nos admiráveis testemunhos do antes, do relato da luta contra a tirania e a opressão, ou da resistência, às vezes heróica, paga com a vida, na mais fria e desalentada noite do fascismo. Mas deixem-me pelo menos referir meia dúzia de nomes, com obras notáveis sobre os antecedentes da madrugada libertadora: o belíssimo poema “A Invenção do Amor”, de Daniel Filipe, os desenhos, feitos na prisão, por Álvaro Cunhal, o romance e contos, do mesmo, sob o pseudónimo de Manuel Tiago, sobre os resistentes revolucionários, os romances de Alves Redol, sobre os “servos da gleba”, os romances de Soeiro Pereira Gomes, sobre o proletariado, os poemas de José Gomes Ferreira, sobre um povo em sofrimento, ou os de Manuel Alegre, os camponeses de Relógio e Pavia, os poemas de José Afonso, cantados por ele próprio, as canções heróicas de Fernando Lopes Graça, todos em suma retrataram admiravelmente o sofrimento, a luta e a esperança de um povo oprimido.

 

Mas agora quero é falar-vos dos que descreveram de modo admirável os exaltantes momentos de libertação, e dos meses redentores que se lhes seguiram. E peço desculpa das omissões por esquecimento.

 

As fotografias, de Eduardo Gageiro e Carlos Gil.

 

As pinturas de Maria Helena Vieira da Silva, sobre o povo nas ruas, comemorando a vitória da Revolução.

 

Algumas das esculturas erigidas em centros urbanos, exaltando o povo trabalhador e resistente (existirá algum álbum sobre estas obras?).

 

Na música erudita, uma ópera – “Os Dias Levantados”, de António Pinho Vargas e libreto do poeta Manuel Gusmão. Ou as obras de Fernando Lopes Graça, em especial o seu belíssimo “Requiem sobre as vítimas do Fascismo”

 

Na música popular, a voz de Carlos Carmo, cantando o poeta Ary dos Santos, em especial nesse admirável disco – “Um Homem Na Cidade” – um marco na música portuguesa.

 

Na poesia, os poemas de José Carlos Ary dos Santos, José Afonso e Manuel Alegre, entre outros.

 

Na literatura, duas obras inesquecíveis – a peça de teatro “A Noite”, de José Saramago, e a pouco conhecida (ainda por motivos políticos?) obra de estreia, mas indispensável, “O Caminho das Aves”, de José Casanova, porque é um admirável fresco sobre uma geração que lutou e fez o 25 de Abril.

 

No cinema, um magnífico filme de Maria de Medeiros, brilhante actriz, mas não menos interessante nas suas incursões pela realização, sendo esta – “Capitães de Abril” – a sua primeira longa metragem. Vivemos essa época. Estivemos nalguns momentos cruciais do 25 de Abril. Participámos  na maior das manifestações, a do 1º de Maio de 74. E gostámos muito da encenação que Maria de Medeiros fez dos acontecimentos do 25 de Abril.

 

De uma coisa vos posso garantir, mau grado a minha modéstia de amante das artes. É que qualquer delas são indiscutíveis obras de Arte, com a vantagem de não serem panfletos políticos. Retrataram sim o júbilo de libertação de um povo oprimido por décadas de um regime fascista.

 

Maio de 2004

publicado por brancoev às 20:19
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