Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2007

PRÉMIOS DE CINEMA

 

Conforme já várias vezes escrito, estes textos são uma mera justificação de gosto, dirigida exclusivamente aos amigos, e não são CRÍTICA DE CINEMA! Muito menos de Teatro ou de Arte…

 

 

PRÉMIOS ANUAIS NA INDÚSTRIA DO CINEMA

 

Depois dos GOYAS espanhóis, dos BAFTA britânicos, dos CÉSARES franceses, chegaram os ÓSCARES de Hollywood.

 

Em Espanha triunfou o magnífico “VOLVER”, de Pedro Almodóvar, na Grã-Bretanha “THE QUEEN”, do, desta feita decepcionante (para já pelo tema), Stephen Frears, em França a surpresa, muito agradável, de Pascale Ferran com o seu “LADY CHATTERLEY”, que aguardamos com expectativa e por fim Hollywood premiou um dos melhores cineastas americanos, Martin Scorsese, e uma das suas obras-primas “THE DEPARTED”.

No conjunto todavia, os prémios nas várias especialidades foram, na sua maioria, e como quase sempre, decepcionantes, deixando de lado obras notáveis, para premiar produtos meramente comerciais.

 

Salientamos, porque gostámos, que a cineasta Pascale Ferran, ao receber o prémio para o seu filme, tivesse chamado ao palco todos os presentes que colaboraram na obra e eram muitos, para compartilhar o prémio, e depois numa intervenção muito política sobre o péssimo estado da Cultura (e não só) em França e na Europa, afirmasse “o novo sistema exclui os mais pobres para indemnizar os mais ricos”. (aplica-se ao Portugal actual)

 

Quanto à cerimónia de Hollywood um crítico ultra-conservador titulou no DN “Ganhou o mestre, perdeu a demagogia”, não perdendo a oportunidade para se lançar de novo, raivosamente, sobre “Babel”. A obra de Iñarruti incomoda assim tanto? Pelos vistos. E, claro, não podia faltar no texto deste crítico, a referência insolente às preferências sexuais da apresentadora… enquanto louvava Helen Mirren, pelos seus “entusiásticos elogios” à rainha Isabel. Porque é estes escribas não se remetem ao silêncio, à semelhança dos frades cartuxos, de que gostam tanto, e não nos deixam em paz?

 

Na sequência destes prémios convém lembrar o que está exibição, entre as longas-metragens, e que merece ser visto.

 

Do que já vimos, recomendamos obrigatoriamente os magníficos “Entre Inimigos”, de Scorsese, “Match Point”, de Woody Allen, “Babel”, de Iñarruti, “Scoop”, de Woody Allen, e “Volver”, de Pedro Almodóvar.

 

Um chamada de atenção especial para outra obra magnífica, embora de um cineasta menos conhecido, Todd Field, “LITTLE CHILDREN” (Pecados Íntimos), com um conjunto de excepcionais interpretações, entre as quais Kate Winslet (brilhante), Patrick Wilson e Jennifer Connelly. Um retrato muito sério do quotidiano de um bairro de uma cidadezinha dos EUA, que não deixa de inquietar os espectadores. Mais que os comportamentos patológicos assustam certos comportamentos ditos normais, que o filme vai revelando com mão de mestre. Meia dúzia de sequências são inesquecíveis, e permitam-me relembrar, para quem viu o filme, a da piscina em pânico. Todas as taras e esquizofrenias da sociedade estado-unidense, que os neo-liberais nos querem apresentar como modelo, vêm ao de cima.

Uma obra que recomendamos vivamente. Mas cuidado, é para adultos, porque impressiona. **** (4)

 

Entre o que ainda não vimos, salientamos “Little Miss Shunshine” (traduzido para “Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos”), de Jonathan Dayton e Valérie Faris (embora nos pareça sinceramente um filme menor); “Half Nelson” (Encurralados), de Ryan Fleck (que suponho ser talvez interessante), “The Good Shepherd” (O Bom Pastor), de Robert de Niro (será interessante?), os dois Clint Eastwood sobre a 2ªGrande Guerra (mas temo que sejam obras de alguma apologia militar, ou não seja Eastwood um apoiante do louco Bush, reconhecida marioneta dos grandes interesses económicos, alguns inconfessáveis, e das suas aventuras imperialistas, que põem em perigo o seu país e principalmente o Mundo); “Bobby”, de Emílio Estevez, sobre o segundo Kennedy assassinado nos EUA; e “The Queen”, de Stephen Frears, por mera curiosidade. E a propósito, se calhar o título mais apropriado para “The Queen” seria “Uma Família (disfuncional) à Beira de um Ataque de Nervos”. Ah! Mas é verdade, também lá aparece o lacaio Tony…

 

O resto, salvo omissão por desconhecimento ou distracção, é mesmo para esquecer.

 

BALANÇO DE ESTREIAS DE 2007 (lista em construção)

 

1. BABEL, de Alejandro González Iñarritu (EUA) **** (4)  (de 2006?)

2. SCOOP, de Woody Allen (EUA) **** (4)

2. LITTLE CHILDREN (Pecados Íntimos), de Todd Field (EUA) **** (4)

publicado por brancoev às 11:12
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